quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Charles



Charles







Nota do escritor: Eu que escrevo este texto não sou um aluno exemplar em gramática. então peço-lhes encarecidamente que ao lerem o texto, que façam isso com o olhar amoroso de um pai sobre um filho que se esforça para aprender a andar.









Sangue, vodka e gelo



1.
     Quando você acorda um dia em uma fabrica, tendo a gentileza de um policial encostar sua cabeça na parede e deixar um galo de lembrança, pelo motivo que você estaria lá tacando o “puteiro” bêbado, e o pior, você nem sabe ao menos como foi parar lá, isto te faz refletir sobre como anda sua vida e como anda o estado do seu corpo, há o meu corpo, quando me vem esta palavra sempre me lembro da saúde do meu fígado. Que dó eu tenho dele, porque pra chegar nesse nível de embriaguez o fígado já não pode ser o mesmo.
      Passam-se tempos e a gente acha que as coisas mudam, mas quem nasce com um pé na cova parece que nunca consegue tirar, eu mesmo sou um bom exemplo, a minha vida me tendência a fazer cagadas. Com esse sentimento de remorso sobre meu fígado, resolvi troca-lo, mas antes de qualquer coisa, como tudo na vida é movido por dinheiro, precisava me mover até ele para que mova um fígado há mim, como sou um filho da mãe, e operar maquinas, ler livros, ser culto não é minha praia, resolvi ser detetive de aluguel, ficar de campana em bares enchendo a cara, esperando uma vadia trair seu marido, e ganhar minha verba.

      2.
      Dou o ultimo trago na minha cerveja e volto para meu escritório, não sou um detetive tão popular com humanos, mas sou popular entre as moscas do meu escritório que me veem todo dia a levantar o pé sobre a mesa, esticar na cadeira giratória e ficar olhando para o ventilador de teto, nisso eu sou bom. O telefone me corta o silencio, maldito trabalho.
     - Opa!
     - Você é Charles, o detetive?
     - Sim. No que posso ajudar? Carregando Alguns chifres na cabeça?
     - Digamos que sim.
     - Venha ao meu escritório para combinarmos
     - Estarei em meia hora.

     3.
     Foi um homem pontual, gosto de pessoas pontuais, não que eu seja. Chegou na hora marcada, minha bunda já estava ficando quadrada de sentar todo aquele tempo e não fazer nada. Sabe aqueles homens que parecem que não vivem? Que escondem algo atrás de si? Era um magrelo, cabelo parecia ter sido lambido por uma vaca e ficado intacto com seu topetinho para direita, estilo ''mamãe vou ao culto'', para definir melhor, se tivesse uma bolsa embaixo do braço acharia que estaria a me vender uma bíblia. Franzino, cabisbaixo me mostrou a foto de uma mulher que queria que eu investigasse não me falou quem era, mas pelo seu jeito, tive a quase certeza que era sua esposa e o achava um pobre coitado e estaria gastando seus dias se divertindo aos braços de um safado qualquer, e a vergonha tirava a coragem de falar sobre isso, imagina então este homem a voz ativa que era em sua casa.
    - É sua mulher? Perguntei.
    - Sim senhor.
    Era mulher de mais para um retardado daqueles, loira, 1,75 parecia capa de revista, não ficaria surpreso com uma edição dela na playboy ou algo do tipo, daquelas que se você é um magrelo cabisbaixo nem sonha em ter. Minha próxima pergunta pode parecer machista, mas quero ver quem não pensou que nem eu.
   - O senhor é dono de alguma empresa?
   - Não, isso também não vem ao caso.
   - Mas preciso saber para a investigação.
   - Só vá atrás dela, eu moro na rua dos mortos, 8756.
   - Antes que ia me esquecendo, o senhor vai pagar como?
   - Quanto é e como vou pagar não importa para mim, só faça isso, por favor. Ligue-me com mais informações.

      4.
      Entrei em meu opala 76 e fui ao serviço, antes disso passei no mercado comprar uma caixa de cerveja, só eu e meu opala bebendo e andando, como sempre. No mercado vi uma daquelas velhas fanáticas por religião, com uma cruz no pescoço enorme, velhotas estão querendo parecer o 50 cents com essas correntes enormes, ela estava parada na minha frente na fila do caixa, fiquei olhando ela conversar com outra mulher que parecia clone dela, falando de como deus e seu filho eram grandes por tudo que fizeram por nos, não sei, mas acho que vaidade é um pecado capital. Bom, nunca quis resolver os problemas da hipocrisia, só sou mais um praticante.

     5.
     Fiquei de campana na frente da casa da esposa de meu cliente, digamos umas meias horas se passaram quando vi um carro saindo, era a loira, só tinha mais é de segui-la, há sim sua vagabunda, agora te pego com os rabos abertos! Ela estacionou o carro e entrou em um beco entre dois prédios altos, fui atrás, fiquei escondido atrás da caixa de entulhos no meio dos prédios, quando vi entrar em uma sala, fui até ela, estava escura, apesar da iluminação do dia, pouca luz entrava lá dentro, quase que caminhar no escuro, a porta estava aberta, o corredor levava a uma porta a esquerda no fundo, me parecia à entrada dos fundos de uma boate, fui me aproximando devagar, o que me guiava era a luz que saia da porta as esquerdas no fundo do corredor, o resto me sentia um cego. Apaguei, sim, miraram na minha cabeça com um taco como se taca em uma bola de baseball, acertaram.
            Não sei quanto tempo levou, mas deu tempo de amarrem minhas pernas em uma cadeira e me deixar lá sentado, o local tinha cheiro de mofo com uma pitada de vinho, achei que era uma adega, mas não vi nada, a luz estava apagada, só uma em cima de mim, como eu fosse à atração principal, um canhão de luz na minha cara vindo do teto um pouco na minha frente, me deixando mais cego que a escuridão deixava, sim eu era um astro do rock’n’roll, só que meu talento pelo visto ia custar meu sangue.

       6.
      A luz se acalma, e eu também tento voltar à lucidez, na minha frente aparece um homem todo vestido de couro, coberto até sua cara, não dava pra identifica-lo, e com um chicote na mão, ficava andando de um lado pro outro na minha frente me encarando.
      - hey, isso é uma filmagem de um pornô gay ou algo do tipo? Cara essa não é minha praia não, porque vocês não trazem aquela loirona, ai concordaria com as filmagens.
      Ele não fez nada, que é o que me espantava, não havia raiva dentro dele, não me parecia vingança de uma vitima insana que há peguei um tempo atrás, mas estava lá por prazer. Esperou eu gozar da sua cara mais um pouco sem responder nada e me deu uma chibatada na cara, e outra, ele sentia prazer, era um sadomasoquista, prensou minhas bolas em encontro a cadeira até eu não ter mais força, e dava gemidos de satisfação, e a tortura continuou, até que a luz se acende completamente, e vejo onde eu estava era uma sala sem nada que prestava. O filho da mãe do sadomasoquista, um anão que parecia vindo da October Fest em cima de uma caixa, com um porrete na mão, a loirona sentada em uma escrivaninha, o meu cliente com uma cara de satisfação vendo a cena, que mais lhe servia para imitar um rato.
     - Perfeito, qual a honra que tenho para participar dessa festa, que tem um veadão sadomasoquista, um anão da October um homem rato e uma loira modelo? E fique sabendo seu rato de merda! E as horas que cobro por meu serviço ainda estão sendo contadas.
      – Está se divertindo então? É, nossa festa é assim, você sangra a gente se diverte.
      – Anão, eu sei que é difícil ter seu tamanho, mas se isto é falta de mulher, cara, podemos dar um jeito, e você ai, o da jaqueta, você sofria bullyng? Qual seu problema. É eu tinha uma boca do capeta, essas palavras me custaram mais uma chibatada na cara vinda do maldito.
     O homem cara de rato ria de qualquer coisa e roçava as mãos, não tirava os olhos de mim, me fitava num olhar dividido entre o satânico e o sarcástico, muito doentio.
      – O calça de couro, isso não amassa seus bagos não? Ou você pode usar porque eles estão em falta? Ri sarcasticamente.
      O homem de couro me da um chute no peito que a cai para trás junto à cadeira quebrando-a no chão, meus pés desenrolaram-se, mas minha mão continuava amarada, levantei rapidamente sai correndo em direção da porta, parecia um touro chifrando quem vinha pela frente, até que dei uma ombreada na porta e ela quebrou, levantei rapidamente e sai correndo, consegui fazer eles pararem de correr atrás de mim quando cheguei no beco, são maníacos conscientes. Corri até meu opala, estava lá, só senti falta de meu 38, não pedi ajuda para me desamarrar, encostei-me ao prédio e rocei a corda até estourar. Entrei no Opala e voltei para o escritório, beber e pensar.

      Meu all star cano médio já estava ficando surrado com o tempo de guerra, eu odiava usar calça, vivia de calção, camiseta xadrez, não parecia um detetive, barba mal feita e grande, e vivia falando que não tinha tempo para pentear o cabelo, quem não tem tempo pra isso? Era pura e gigantesca preguiça. Bem 32 anos e com minha barba e cabelo de moleque de rua de 20 anos não me tornavam um bom partido. Terminei meu copo de vodka e fui receber o que me deviam, joguei uma espada de cabo branco no opala e peguei uma semi automática, deixei ela na cintura.

     7.
     Chutei a porta da entrada do beco, com a espada na mão, mas ainda com sua capa, e a pistola na cintura, caminhava lentamente pelo corredor escuro, agora estava mais iluminado, não sei se estava zonzo de adrenalina ou era a cerveja com vodka, entrei na sala, já tinha outro cara, mas dessa vez com a boca amarrada também, o anão estava com as calças abaixadas em cima de suas pernas, atirei na panturrilha do anão, caiu e não parou de gemer, iniciei uma competição, quem gemia mais alto, o anão baleado ou o homem com a boca tapada berrando, ha vitima estava vencendo. Se ficasse na torcida da competição não perceberia o sadomasoquista com um machado vindo em minha direção de cima de sua cabeça a encontro da minha, sorte que minha espada estragou nosso encontro, ela me defendeu, com minha mão esquerda, com a direita furei o bucho do sado com um tiro. A loira gostosa, que de agora não passa em de uma vadia, porque jamais elogiarei quem me acerta um tiro no antebraço, foi bem no braço que eu estava segurando minha arma, e ela despencou no chão, peguei o sado segurei o por trás, o fiz de escudo ameaçando seu pescoço com minha espada, pela minha sorte ainda estava vivo, gemendo, não sei se pra ele é dor ou prazer, mas estava gemendo, na agitação da coisa não vi o cara de rato relaxar o peso da arma sobre a minha cabeça, era justo minha arma, a loira se aproximou andando, mirando para minha cabeça, pela primeira vez ouvi a voz dela.
    - Então se acha espertinho não é justiceiro?
    - Se esta virtude lhe atrai. Respondi.
    - E agora esta bem com duas armas apontada para sua cabeça?
    - Só vim cobrar o que me devem, até te pago uma cerveja depois que receber do meu cliente. Percebi um olhar do cara de rato para a loira, aproveitei sua distração virei meu corpo para o outro lado e dei um coice nos seus ovos, a loira deu um tiro, que manchou meu pescoço de sangue, mas para minha sorte ela estava tão perto que tirei o braço esquerdo que enforcava o homem de couro e cortei a garganta dela, cataratas de sangue rolava por aquela sala, a arma do cara de rato caiu ao chão, antes de ele conseguir pegar eu a puxei com minha espada, ele aproveitou a porta atrás dele e correu, peguei a arma e corri atrás, atravessei a porta olhei para o corredor escuro ele estava virando para o beco, só deu tempo de um tiro. Odeio essa de ser cobrador, olhe o que meu capitalismo faz comigo. Deixei o anão deitado no chão e o sado morrendo lentamente, desamarrei o homem, que me agradeceu, seu nome era Jonas, era um entregador de pizza, moleque de uns 23 anos com os dois braços tatuados e um moicano despenteado bom para se caçar caspas e piolhos, dei meu telefone para ele e falei que se precisar de ajuda era só falar, sim, eu sou um capitalista maldito, mas toda hora é uma boa hora para se achar um negocio.
      – Cara! Ele disse. – Justiceiro é o caralho, você é o Batman, achei que estava em um HQ da DC, para o inferno meu irmão, vou te chamar pra bater até no meu irmão quando ele me roubar o controle da TV. Meu nome é Jonas, mas pode me chamar de Robin.

      Voltei no meu carro, dirigir até o hospital. Foi mais um dia de trabalho, era umas cinco e pouco da tarde, passei no mercado comprar uma vodka antes que o dia fechasse o mercado, fui para o bar, o silêncio não cobria o som dos ratos passando no forro, sentei-me a mesa do bar, havia eu e uma meia dúzia de malditos tentando encher a cara para esquecer o dia, pedi ao garçom que acabara de colocar a toalha branca no ombro uma cerveja, passaram-se cinco ou seis copos e me veem uma mão ao ombro. – Hey, garotão. – Ela disse, olhei a mão e a beijei, ela de bom grado me deixou com a boca sangrando, eu nem precisei me mexer e a donzela da mão já me deixou lembranças. Estava meio zonzo das bebedeiras, e acabei caindo de bunda no chão, era Teodora Nixon, uma ruiva alta magra, que ruiva, aquelas que são fetiche de todos os homens, seios fartos, se não fosse o fato que ela poderia ser a senhora morte que me levaria desse mundo para o outro eu até sairia com ela, mas não custa tentar.
            - Grande Ted, quer uma bebida? Eu pago, nem cobro um nariz novo.  - Voei mais um tanto para o chão.
            - Nunca vi uma dama tão generosa como você, agradecendo uma dose com um chute nas costas, mas se quiser tomar e ficar para um papo, tudo bem. Eu com o braço enfaixado não estava aquelas coisas para uma boa briga. Então o dono do bar enxugando a mão se torna mais um expectador de meu massacre/vexame e alerta como um juiz.
             - Hey, se quiserem brigar vão para fora.
             - Está certo, viu Ted, se quiser brigar vá para fora, deixe-me aqui com minhas cervejas. Respondi me agarrando a mesa com um tom de bêbado.
    - São dez mil, e eu quero meu dinheiro. - Ted conseguiu falar isso com o dedo na minha cara.
             - Eu falei, eu também quero seu dinheiro, juro que quero, quero tanto que até gastaria ele de novo, mas eu não tenho.
            - Suas piadas não curam dor que sentira dos meus chutes Charles.
            - Mas o seu dinheiro sim. - Arrependi-me em ter dito aquilo, mas mesmo assim, não houve mais lesões da parte dela e ela foi antes de dizer.
            - Te dou sete dias, e isto é sua chance de viver ou correr, mas de quarta que vem não passa. E Ted foi embora. Recompus-me, e voltei a beber. Sete dias de vida, um maníaco me devendo, é, ou ele me paga, ou eu morro, é a única opção que tenho.

     8.
            No outro dia liguei a Ted.
            - Hey gata, ta afim de uma cerveja e de seu dinheiro?
            - Charles, pare de papo, onde eu atiro em você coração ou cabeça?
            - Mulher, relaxe, esta tudo sobre o controle, me encontre hoje, na rua morte 8756 às 14h30min.
            - Ok. Já sabe que vou preparada para te matar, não preciso lembrar os detalhes.
            - Isso não é problema, já me apontaram uma arma antes.

     9.
            A sombra da arvore refrescava meu opala, e vi de longe os cabelos laranja de Ted ao vento vindo com sua virago, parou na minha frente e entrou no carro. Estávamos umas três casas da do cara de rato. Expliquei a ela situação e ficamos por lá bebendo cerveja.
            - Olhe do nosso lado na outra rua. Charles está garotinha está vendendo chocolates, ela está há umas três casas da casa do cara de rato. Disse Ted.
            - Talvez seja uma boa isca. Respondi.
            - Credo Charles é só uma garotinha.
            - Não vamos o deixar fazer mal a ela.
            Esperamos ela chegar a casa dele, ficamos observando do carro de longe, ainda não havia problema com o meu carro, pois ele não tinha visto-o ainda. Ele abriu a porta com sua risada de rato roçando as mãos como sempre, e a garotinha toda meiga com uma cestinha vendendo doces, ele a olhou, e ela entrou junto a ele, saímos do carro correndo, fomos pela calçada da rua da casa dele, quando estávamos no vizinho do lado vimos à garotinha saindo, corremos atrás de um pingo de ouro que nos deixava bem camuflados se estivéssemos com os joelhos dobrados.  
            - Obrigada por comprar meus doces, moço. E venho com certeza jogar vídeo game com você. - Disse a pobre voz doce da menininha que mal saberia seu futuro. Há vimos saltitando alegre com seus docinhos andando pela calçada, me lembrava a chapeuzinho vermelho, e o cara de rato olhando ela, quando ela ia da calçada para a porta da casa vizinha o cara de rato grita.
            - Hey, menininha, venha até aqui. Ela olhou para ele, levantei e apontei minha arma.
            - Hey, amigão! Quanto tempo cara, até parece que foi ontem que você tentou me estuprar. A garotinha e ele quase perderam os olhos de tanto que arregalaram olhando para minha arma. Cara de rato abaixou, atirei na sua cabeça, desgraçada mira minha que não era das melhores, acertei a lâmpada da varanda, que ele estava embaixo, mas nem perto do vagabundo, ele entrou na casa correndo, eu e Ted corremos para a porta, e a garotinha corria e chorava, corri até a porta de entrada, dela dava pra ver a porta dos fundos balançando, ele já passará por ali, Ted foi atrás dele, fiquei ali pela casa, achei que poderia achar algo que valia o preço de minha divida, não buscava justiça, só minha divida. A casa era de madeira, da minha esquerda que acabará de entrar, uma sala, dois sofás rasgados e velhos, não me surpreenderia uma urina de rato ali, uma estante sem fotos, uma TV de 20 polegadas, eram quatro cômodos, que se juntavam em um corredor só de portas no meio, na esquerda na sala da frente da sala onde ficava a TV ficava a cozinha que tinha a porta para os fundos, a sala ao lado tinha lado dos fundos estava trancada, chutei ela, vários chutes até arrebentar, cara, tinha um pentagrama do satanás na parede, era desenhado a sangue, o aroma do local era de incenso e esperma, havia velas iluminando o local, uma estante de um lado e do outro um computador ainda ligado, devia estar mexendo enquanto há garotinha há batera na sua porta, sentei no computador recolher informações. Meu deus, lá estava, era Cristina Nixon, irmã mais nova de Teodora que havia desaparecido há quase um ano. Havia seu endereço, fotos na escola, devia ter uns oito ou nove anos, seus pais já haviam declarado óbito. Nada havia sido esclarecido, um dia foi para a aula e na saída ninguém a achou mais, não havia foto de mal trato a guria, nem onde ela poderia estar talvez não fosse ele que a tirou de sua vida, talvez fosse outro, estava tentando e o plano dera errado, mas algo ele sabia, e Ted não iria gostar. Olhei as outras vitimas, deu tempo de Ted chegar ofegante, me contou que perdeu o cara de rato de vista.
            – Ted, tenho más noticias, acho que foi ele que levou a tua irmã.
            – Cale essa boca! Se estiver mentindo de novo te matarei.
            – Não sei ao certo. - Contei a ela sobre o que vi no computador.
            – Maldito, filha de uma mãe, assassino, veado, meu deus, matarei este desgraçado! Você também Charlie, seu mentiroso filho da mãe, não falou que iria estar aqui com meu dinheiro? Cadê ele?
             – Te falei que não teria a grana, este vagabundo me contratou a dias, está me devendo uma grana, mas pelo visto teremos mais que a grana, te ajudarei nessa Ted, pelos velhos tempos.
            – Por favor, me ajude, estou desesperada. Não aguento mais olhar para meus pais e ver como estão.
             – Entendo Ted. Respondi. Não sabemos do paradeiro de tua irmã, nem se ao certo ele tem haver com algo. Precisando encontra-lo. Tive uma ideia, ficaremos nesta casa de campana, não mexa nas portas em nada, deixe como esta, esse desgraçado voltará para cá, e conseguiremos pegar ele.

      10.
            Ted lustrava sua arma dentro da sala do pentagrama, não falava nada, só passava um pano fria e cautelosamente, dava para se ver que ela estava pensando como iria arrancar as tripas do cara de rato.
            - Ted, não assim, por favor, talvez ele saiba onde ela está. Não há por que derramar sangue antes, talvez possamos achar tua irmã, pegar teu dinheiro, e cada um pega seu rumo de casa.
            - Não sei. Tempos se passaram. Disse Ted, mas não parou de lustrar a arma. – Diga-me, você tem irmã? Já viu seu pai chorar por enterrar uma filha? Por favor, não toque nesse assunto.
            - Mas Ted...
            - Charles, sem mais.
            - Ted, passamos a noite em claro?
            - Acho que não por quê?
             - Então o que é este clarão ali de fora?
            Levantamos e fomos lá ver, é pelo visto a gente tava dentro do sol, pois as paredes da casa em volta estavam cuspindo chamas. Estávamos na sala da TV olhando para a porta da frente e no meio da rua estava cara de rato, rindo como sempre. Ted logo direcionou a arma para o cara de rato e foi atirando e andando há ele, a visão dele que tínhamos vendo da porta desapareceu numa das cortinas de fogo que ficavam se mexendo na nossa frente. Ted passou pelo fogo como se ele não há fosse um inimigo. Viu um carro virando a esquina a toda, nem conseguiu identificar o carro, pulamos para o meu carro que havia deixado na quadra de trás e tentamos rodar a cidade, mas nada. Via a cara de Ted e sua decepção, há dor da perda de sua irmã parecia que lhe criava uma nostalgia depressiva. Aquela nostalgia me cortava o bem estar.
            - Ted, não Ted, por favor, não fique assim. - Não sou um cara de compaixão, mas o caso de Ted estava passando de algo de uma simples conta, ou além da minha vida, acho que agora nem para ela minha divida há movia no caso.
            Voltei para casa, enchi a cara e dormi.

     11.
            Acordei com uma puta ressaca, mal dava para reconhecer Ted em uma poltrona no meu quarto, meu deus, me lembro bem de ter há deixado junto com sua moto, com sua mão se encontrava uma vodka quase no fim, seu corpo deitado sobre o lado da poltrona, sua boca aberta formando uma cachoeira de babá caindo no chão, pobre Ted. Fui fazer nosso café.

            - Desculpe Charlie, fiquei atordoada, não sabia o que fazer, acabou que vim aqui e capotando na sua poltrona.
            - Tudo bem.
             - Não, não esta bem, nada bem. Precisamos correr atrás desse merda, eu conheço pessoas que podem nos ajudar, acho que não gostaram de nossa visita, então leve sua arma.

     12.
            Montei na virago de Ted e seguimos até o local que ela me falou. Era um açougue, fiquei imaginando o açougueiro falando, que dedo você? De um japinha, um negro ou um alemão? Dava-me nojo e repulsa. Entramos, Ted entrou primeiro, o local era pequeno, não parecia ter mais que o dono, não escutei ninguém cortando carnes ao fundo, deveriam estar caçando pessoas. O açougueiro estava de avental branco cheio de sangue e tatuagens e uma barriga de banha enorme que poderia defender uma bala, uma faca enorme que seria perfeita para desfiar meu braço, era um gordo que suava, chegava a ser tanto que quando ele cortava carnes baldes de suor salgavam as carnes para os futuros fregueses.
            - Ted, Ted, minha boa e velha amiga Ted, tem alguma carne nova que andou pegando querendo me vender? - Ted era magra e ágil como um elfo, pulou em cima da bancada, com a outra perna prensou o gordo contra a parede com seu salto alto de couro.  Foi chegando de encontro com o rosto do gordo e flexionando suas pernas.
            - Escute aqui seu gordo de merda. - Disse ela. – Eu sei que você sabe, e se não sabe, saberá por compaixão a suas bolas. Quem é o fornecedor com cara de rato? Eu sei que você conhece tudo por aqui. - O jeito hostil de Ted não parecia lhe render muita amizade nos últimos tempos, ela mudara depois do fato de sua irmã. O gordo empurrou a perna ela e ela aterrissou na frente do balcão sem fazer muito barulho no chão, como se tivessem jogado uma caixa de papelão na parede. Caiu dobrando os joelhos levantou a cara e olhou para o açougueiro.
            - Uma fornecedora de tantos tempos. - Disse o gordo. – E é assim que você ainda me vê? Como qualquer? O que te mudou Ted? O que aconteceu com minha velha amiga?
            - Gordo! Não sei quem foi, foi um homem com cara de rato. Disse Ted. –Me fale, por favor, ele pegou minha irmã, preciso vingar sua morte.
             - Ted? Tua irmã? Como assim? Não sabia disso, se bem que sobre tudo o que você fez, não há de se surpreender. Foram tantos anos tantos corpos.
             - Mas minha irmã! Respondeu ela a Ted, levantando a cabeça e o corpo com uma enorme gota de lagrimas saindo dos olhos. – Ela não fez mal a ninguém, eu só usava os bandidos, corruptos, assassinos, psicopatas, mas era só uma pobre criança.
            Eu sabia que Ted era uma assassina, quando a conheci foi para contratar seus serviços, ela sempre foi uma boa assassina, precisava apagar uns caras, era Jack búfalo head e sua gangue, não iria conseguir sozinho por isso contatei Ted, mas agora entendi, ela vendia corpos de psicopatas para esse açougueiro canibal. E alguém ter levado a irmã dela, ela carrega isso como uma culpa por tudo que fez.
            – Escute. Disse o gordo açougueiro. – Pelos velhos tempos, te ajudarei, não sei realmente quem vende corpos de sangues puros, (era assim que chamavam os as almas que não tinha feito algum mal) mas sei de alguém envolvido nisso, nunca concordei, mas não sou um justiceiro para acabar com essas anomalias, vá até Nascente do Rio Verde, são uns 400 km daqui, e procure pelo Boi Gordo Bucho de Banha. Que eu saiba ele é bem envolvido nisso.
     – Estou te devendo essa. Disse Ted. – Essa e toda minha vida, muito obrigada.

     13.
            Ted quis logo sair, pegamos o opala e seguimos viagem, eu fui dirigindo enquanto ela olhava pela janela do carro as arvores passando.
     – Eu tenho uma grande esperança de tua irmã estar viva ainda. Disse.
     – Não sei, mas alguma coisa me diz que sim, andei vendo em noticiários, crianças são mais utilizadas no contra bando, como escravas nos países vizinhos, bem nunca imaginei dizer isso, mas tomará que minha irmã esteja apenas sequestrada, caso de morte está mais para velhos, estupro acho que não foi, nós e a policia não achamos o corpo esse tempo todo, e outras meninas que foram desaparecidas também, só restaram o vazio, nem o corpo morto ocupou a falta delas.
     – Isto Ted, eu sei que é difícil, mas vamos cara, eu acredito em você quero ver você pra cima de novo. Ted preencheu minha alegria olhando para mim e dando um sorrisinho.
     – Cala a boca, ela disse. – Você só está aqui por que se não te venderei para canibais.
    – Acho que isso acaba em uma troca de favores de camaradas.
    – Desde quando tenho camarada verme igual a você que apanham de mulheres em bares? E ela riu, pela primeira vez em dias.
    – Há qual é você golpeia pelas costas sem eu ver e quer dizer que isto é uma briga justa? Mesmo com esse braço baleado te faria pedir água de cara no chão mulher!
     – Fala, fala, mas na hora de brigar não é nada.
     – Por isso carrego minha arma.
     – Charles, Charles, disse Ted rindo pouco. – Fala tanta besteira quanto apanha de mulheres.

    14.
     Entramos na cidade, seguindo por uma avenida principal, quando passamos por um cruzamento, um filho da mãe nos acertou com sua D20, acertou o lado que Ted estava sentada, mas pegou na parte de trás do carro, rodopiamos feito uma roleta do baú. Paramos de encontro com o meio fio, do outro lado da rua, no meio fio, estava parada a D20, escutei um tiro vindo de lá, pessoas das ruas começaram a gritar e correr para longe, olhei para Ted e estava desacordada, meu braço enfaixado tinha ficado dormente com o impacto, não deu tempo de olhar para trás para ver quem era, quando já vejo o retrovisor do teto se estilhaçando por um balaço, abaixe-me, tirei o sinto, abri a porta com a mão esquerda, tentei pegar a arma que estava embaixo do banco, e a zonzeira que me perseguiu me fez ir de encontro com a cara no asfalto, sem arma, com as pernas para cima, e a cara no chão, acho que um homem vindo atirando na sua direção não é sinônimo de ajuda. Vi ele sem me mexer, abriu a porta do lado do passageiro do opala, carregou Ted pelas costas até seu carro e foi embora, eu desmaiei com a cabeça jorrada de sangue.

      15.
      Escutei o barulho do meu coração batendo, estava sendo amplificado de um aparelho médico do lado da cama, beleza, já estou atrás de um maníaco, estou todo ferrado em um hospital, Ted foi sequestrada, quem sabe é a hora de eu voltar para minha cidade, e esquecer o caso, a final, acho que Ted não iria me procurar mais. Mas não, não iria deixar ela na mão. Mas e agora sem carro, provavelmente sem arma, é as coisas de caminhar para pior.
      Já estava de noite, pouco movimento no hospital, uma enfermeira falara que eu tinha que repousar e no outro dia estaria bem, e eu sozinho naquela sala escura que as persianas não permitiam a luz do corredor entrar, esperando a hora passar, pensava em acordar no outro dia e correr atrás de Ted. Deixei meus olhos se juntarem, dormi. Fui interrompido por uma maldita mão na minha boca, querendo trancar meu fluxo de respiração com a vida, abri os olhos desesperado, era um homem de paletó preto com as duas mãos na minha boca, tinha guardado a faca do jantar embaixo das minhas costas por precaução, e sorte da minha vida que fiz isso, se não as coisas iam de pior para de baixo da terra, peguei a faca e enfiei no bucho do agressor, foi pela camisa branca, para o corte ser mais fácil. Senti do meu lado esquerdo o reflexo de um punho vindo extremamente rápido em minha direção, tão rápido, mais rápido que meu reflexo, mirou cheio e arregaçou meu nariz ao sangue, tirei a faca do bucho do cara, segurei com a mão esquerda a mão do outro agressor e com a direita fiz um corte nela, ele agachou-se de dor tentando estancar o sangue. Aproveitei a curvatura dele, para sair da cama e enfiar-lhe um gancho no queixo, que fez o homem estacionar bruscamente sua bunda gorda no sofá de espera. Dei mais três ou quatro socos na cara dele com o braço enfaixado, e o outro braço segurava a gola de sua camisa.
     – Escute aqui seu monte de merda, quem te mandou aqui?
     – Não interessa. Respondeu, e enfiei mais um soco na cara que iria deixar lembranças para quando se olhar no espelho.
     – Tome seu presente por essa resposta de merda. Agora me de outra resposta, que pensarei na gratificação.
     – Esses socos são como massagem na minha cara seu bosta. E tentou me empurrar, enfiei tanto soco na cara dele que ficou sem força.
     – Já que sua boca não fala nada que presta acho que podemos cortar sua língua fora. Ele riu.
     – Você nunca foi um bom detetive Charlie, todos sabem que sua cabeça no mercado é preço de banana, você não mata nem moscas.  Pobre coitado, já estava delirando. Coloquei a faca de ponta para o coração dele, fui com as duas mãos em cima dela, e comecei a jogar meu peso lentamente, antes que entrasse um centímetro ele falou gemendo.
     – Pare Charlie, pare e te ajudarei a encontrar sua amiga, ela esta com Boi Gordo, no galpão na vila dos lobos, ele nos contratou para terminar o serviço que seu capanga não terminou.
     – Que serviço?
     – Matar você.
     Tampei a boca do homem com uma almofada, e desci sobre ele com a faca entrando no seu coração, não deram segundos de espasmos e ele estava morto. Vi minha muda de roupa em cima de uma cadeira, a vesti, peguei a arma que um dos capangas tinha, destranquei a porta do quarto do hospital que estava trancada, sai, tranquei a porta novamente.
     Tudo que sei agora na minha vida é que tenho que ir atrás de Ted, sem dinheiro, sem meu opala, só com balas, sangue e vingança.
    
     16.
     Esperando que a lua clareasse meus pensamentos seguia sozinho para o galpão na vila dos lobos, meu telefone vibra.
     – Alou?
     – Charlie, aqui é Jonas, cara, aqueles filhos da mãe ainda estão me perseguindo. Falaram para eu estar hoje em Nascente do Rio verde, teria que estar lá com 10 mil cruzados, para ganhar minha vida de volta. Mas Charlie, Eu não fiz nada cara, fui entregar uma pizza, estou desesperado, se chamar a policia eles vão atrás da minha família, consegui dois mil e uns trocados, vou tentar pedir para eles me derem mais um tempo, o que você acha?
     – Eu acho que agora é tempo de violência.
     – O que? Você esta doido? Como assim. Respondeu Jonas alto e aflito.
     – Meu amigão, você ta na bosta, eu posso te dar uma mão para sair dessa fossa, e ela vem acompanhada de uma arma.
     – Você esta louco cara, eu não vou matar ninguém só quero ficar em paz.
     – Eles te pegaram como isca cara, essas pessoas não fazem isso com gente que tem muito dinheiro, porque essas pessoas tem poder, você não, um entregador de pizza morto é só uma pizza que esfriara na pizzaria. Além de mandar pizza para casas, já pensou em mandar almas para o céu?
     – Hey Charlie, que papo é esse cara?
     – O destino esta te abençoando com uma arma na mão meu garoto, é o seguinte. Contei sobre o que aconteceu. Ele topou se juntar a mim, sem muitas outras escolhas, chegamos ao galpão Vila Lobos. Achamos umas caixas ao fundo que subindo dava para chegar ao telhado de Eternit, era um galpão qualquer, daqueles que servem para ser visitados por entulhos não por humanos, se bem que desconfiava que ali os humanos que mais frequentavam já estavam dessa para melhor, paramos em uma janela perto do telhado para ver o que acontecia dentro. Lá estava Ted sentada em uma cadeira, sempre vejo pessoas sangrando, mas Ted parecia que estava sendo canibalizada, cinco homens em volta dela com porretes e armas, um porrete tinha sangue, era de Ted.
     – Achas que irá ter uma morte fácil e aqui? Disse um homem de terno gordo enorme, deduzi ser o tal Boi Gordo Bucho de Banha. – Sua cabeça esta valendo uma boa nota no mercado, não sei se sabe? Vale demais para te matar aqui. Vamos Ted, responda de uma vez, por que o meu irmão? E deu um soco na cara dela com um soco inglês.
     – Quem pode te dar a resposta são as irmãs de quem ele estuprou.
     – Cale a boca! Não fale assim, ele estava se curando, pessoas tem doença Ted, e tem cura, sua maldita! E cuspiu na cara dela. Pronto ai estava à justiça, Ted sendo espancada por ganhar dinheiro matando bandidos, a justiça gera vingança, a do pai da menina foi mandar matar o estuprador, que chamou Ted para o serviço, um pai justiçado, mas um irmão agora sendo posto a cargo de filho único, e vendo sua mãe chorar no caixão sem saber onde pecou, o que gerou a vingança do irmão filho único, agora ele mata Ted, e o que acontece? Eu me vingo? Alguém vinga a morte dele e me mata?


     – Hey, Jonas. Sussurrei. - Nem só de pão vive o homem, mas de álcool e fogo também, siga meus bons. Pulamos da caixa e seguimos ao posto mais perto, compramos galões de álcool e duas caixas de cerveja.
     – Charlie, Charlie olhe aqui. Jonas viu em cima da geladeira uma faca de açougueiro e continuo a dizer. – Está na hora de eu aprender a cortar esses macacos!
     – Bom garoto. Respondi. E ele a comprou.
     Voltamos correndo, e ele falou ofegando.
     – O desespero de nosso incêndio, (respiradas forçadas) vai causar pânico nos filhos da mãe, (e outra) assim poderemos tentar ajudar Ted.
     – Você entendeu certinho.
     – Coragem meu jovem, é o que você precisa pra ser aquilo que quer então tenha ela, não durma olhando para as paredes do seu quarto mentindo sobre o que você é, elas sabem a verdade, coragem se o que você quer é aquilo que pensa e que faz.
     – mas que merda é essa cara?
     – Cala a boca, chegamos beba. Falou Jonas, e subimos no telhado jogamos o álcool, descemos. Fiz uma bomba com uma das garrafas e um pano, joguei a em cima do telhado e acendi meu cigarro,dei uns goles na cerveja, fiquei sentado na rua da frente embaixo de uma sacada, era há de um comercio, estava tão escuro lá que era impossível me ver. Eu e Jonas, só apreciando os fogos.
     Saíram os cinco homens do galpão, ficaram no meio da rua, olhando para o fogo desesperados. Atirei do escuro nos cinco, caíram, filhos da mãe, feito pinos de boliche, isso sim era um strike digno de comemoração. Fui tirar Ted da cadeira antes que o telhado caísse sobre ela, e Jonas foi pegar o carro. Com a cara toda sangrando, um rasgo na gola que lhe deixava com um decote que nem prostitutas usariam, voltamos correndo rápido para fora, peguei pela gola do Boi Gordo Bucho de Banha.
     – Hey seu chupador de bolas. Quem é o tal homem com cara de rato?
     – Cale a boca seu veado. E me cuspiu, limpei a cara.
     – Escute estrume, quer falar comigo ou meu punho?
     – O cara de rato não passa de um verme, idiota, quem quer a cabeça de vocês é alguém bem mais de cima, o rato só é um maníaco que estupra pessoas e depois vende seu corpo para canibais, ele também estava entrando em um negocio de vender crianças para países estrangeiros como escrava. Fiquei sabendo que Ted vinha para cá e mandei caça-la. Você não está no meu pacote de cabeças mortas, mas tem gente que não esta feliz com sua alma neste mundo não.
     – E sobre a irmã de Ted?
     – Olhem na outra rua seus burros. E desmaiou em seguida.
     Lá estava ele, umas duas quadras da gente parado no meio de duas rodovias, carros passando pelos dois lados e ele entre as faixas, sorrindo com seus dentes amarelos, cara de rato, nisso Jonas estacionou seu carro do nosso lado, um fusca 68, ele era um entregador de pizza, dava pra entender, mas isso não colocava motor naquela geladeira de rodas, tentamos persegui-lo, o pneu do carro derrapando nas curvas gritava a angustia que guardávamos por dentro, mas já era tarde não o achamos.

O toque do telefone interrompeu o silencio que era o que mais se ouvia dentro do carro.
      – Oi. Disse Jonas atendendo.
      – Sim, eu estou com a guria. Disse o homem do outro lado, era o cara de rato, agora com um sotaque meio francês, que nunca havia mostrado antes, conseguiu me enganar que era um brasileiro legitima certinho. – Coloque no viva voz para que todos ouçam. Oi meus amigos Charlie e Ted.
      – Filho da mãe. Gritou Ted. – Cadê minha irmã? Me de ela, viva!
      – Calma, calma minha pequena assassina. Dava de imaginar ele roçando as duas mãos expressando seu jeito maquiavelico. – Não esta feliz em trabalhar de novo ao lado de seu velho amigo Charlie, sim, se quiser tua amada e pequena irmã, iram ter que fazer uns favores antes. Ficou famoso o caso da dupla de Charlie e Ted contra Jack búfalo head e seu bando, todos comentam. E agora que eu descobri que Charlie esta na mão de Ted, coloquei Ted em minhas mãos.
      – Como eu vou saber que você realmente está com ela? Perguntou Ted eufórica.
      – Vá até o orelhão na frente do shopping da cidade e terá fotos de tua irmã.
      – E eu cara, o que eu tenho haver com isso? Perguntou Jonas com o coração mais rápido que o carro.
      – Você era pra estar morto, idiota! Se não fosse alguém entrar naquela sala e matar metade dos homens, você não podia sair vivo ninguém sai sem dar a vida ou algo em troco, agora ajude eles e nossa conta estará quitada. Vão dormir amanha falarei no que quero de vocês. E o cara de rato agora de sotaque francês desligou o telefone.
      – Merda, Merda, Merda. Dizia Jonas dando muros no volante. – Me deixar viver o caralho, esse filho de ratazana vai me perseguir até a morte, maldita pizza, porque não peguei câncer no dia e não fui trabalhar?
      – Se acalme Jonas. Eu disse. – Eu não disse, é a hora de entregar almas para o capeta. E dei uma traga no cigarro. Jonas se encheu de coragem e seguiu em frente e seus olhos pulsavam e desejavam uma sangria, mas era ódio que acabaria depois de uma xícara de chá as cinco.
        Então, assim como disse Nietzsche em seu livro sobre Zaratustra, a maior das virtudes é o sono, pois se ele encontra o homem e não o homem tem que busca-lo ao se deitar, quer dizer que o dia foi longo e produtivo. Foi o que aconteceu comigo e meus dois novos parceiros. Deitamos em um hotel qual quer no segundo andar, três camas de solteiro uma do lado da outra e uma iluminação que se igualava ao preço porco que pagamos para dormir ali.
      – Filho de uma mãe! Escutei Ted falar isso em um alto tom de voz. Peguei minha arma debaixo do travesseiro, fiquei sentado sobre a cama e mirei para ver o que acontecia, vi cara de rato sentado como um pseudo-intelectual nojento fumando um cigarro e sua risada sarcástica. Ia levar essa alma para o capeta quando escutei o gatilho de uma no meu ouvido, havia uns cinco ou seis homens de ternos com automáticas estragando meu sono.
      – Bom dia. Falou agora o rato sotaque de francês nojento.
      – Isso são horas de se visitar alguém, imbecil. Retruquei do meu jeito amigável. – Quer visitar o capeta cara?
      – Muito engraçado senhor detetive de merda.
      – Cara! Eu só sou um entregador de pizza! Disse se borrando de medo. Há, vocês sabem quem disse isso. – Parem com isso, por favor!
      – Cale a boca, vou ser breve e direto. Quero um serviço de vocês tem, preciso que sequestrem um garoto, o pai dele é um policial federal, um desses que acredita ser um herói, não corrupto.
      – Porque não mata ele. Interrompi cara de rato.
      – Achei que fosse mais experto, matar um policial federal? Só querendo dar um jeito nele. O filho dele tem quinze anos, vai estar em um baile à fantasia no sábado, de manha mandarei entregar suas fantasias, uma foto do moleque e o local, me façam este serviço, e todos estão livres.


     17.
     Lá estávamo-nos, a liga da injustiça, filhos do crime organizado, disfarçados para o bem, como um rei absolutista governa para seu povo, digo disfarçados para o bem, porque estava eu de batman, Jonas de Robin e Ted de mulher maravilha. Entramos na festa, a procura do garoto, primeira coisa era se socializar, faço o que faço em todas as festas, escorei no bar e fui pegar algo para encher a cara, o garçom negou minha felicidade numa insana tentativa de chamar de festa um local onde não se tem cerveja. O mais alcoólico liquido que achei era um ponche para os pais. Copos e copos se passavam rente ao tempo e nada desse garoto, Ted e Jonas ficaram no bar, fui para o banheiro dar a primeira urinada da noite.
     Lavando a mão olho no espelho um homem que no primeiro instante me fez achar que estava com a fantasia dos irmãos cara de pau, o estranho sua atitude, olhar porta a porta do banheiro e ir embora, cruzando por um homem aranha, que tira a mascara para refrescar a cara, e lá esta, quem é o nosso destemido super herói, que vai virar uma super galinha na minha mão? Sim, bem ele, o filho do policial, Romeu.
      – O tiozão. Disse Romeu. – Você tem uma cara de drogado, por acaso não tem um careta não?
      Isso era muita sorte, o moleque do meu lado e querendo fumar maconha comigo, vontade de ir à missa agradecer por essa mão na roda que Deus me deu.
      – Aranha, seu aranha, o senhor é um moleque de sorte, estou indo lá fora com dois amigos meus fumar um, nos espere do lado da van branca.
      Comuniquei meus amigos super-heróis o ocorrido, acendemos o ver lá fora uns cinco minutos depois aparece o nosso homens das teias, e os irmãos cara de pau, mas eles ficaram uns cinquenta metros escorados na entrada só de vigília.
      – Chegou o homem das teias então. Falou Jonas fazendo gestos que estaria atacando teias em Romeu.
      – Hey, quem são aqueles dois ali? Os irmãos cara de pau.
      – Há, é que meu pai é policial federal, e ele acha melhor eu ter cuidados.
      – Moleque e se fuma essa porra aqui, teu pai deve viver correndo atrás de traficantes. Disse Ted.
      – É, estou ajudando meu pai a ter emprego.
      Foi engraçado e ao mesmo tempo chato ver Jonas misturando álcool e maconha, o efeito no seu corpo fez ele se achar um lutador de boxe, começou a dar pulinhos e socos de leve no braço de todos, vem, vem, dizia ele, e socava o braço de um, até que Romeu se injuriou e começou a brincar. Vem seu bosta, vem seu bosta, se ouvia da boca de um e escutava a retrucada do outro em socos e estímulos verbais de violência.
      – Você acha que é igual seu pai? Disse Jonas.
      – O que tem meu pai? Respondeu Romeu.
      – Acha que é um herói mesmo?
      – Mas eu sou um herói.
      – Por heróis como seu pai estamos aqui perdendo tempo com você tentando dar um jeito no seu pai.
      – Quê?! Respondeu Romeu com uma cara de assustado.
      Essa foi à parte chata de Jonas estar bêbado, falar o que não se devia, mas a melhor parte foi que ele respondeu Romeu levando seu punho direto na boca, o que fez de Romeu cair que nem pedra no asfalto. E o que vem a seguir é meio obvio, fatores como eu correr até o volante do carro escutando zumbidos das balas no meu ouvido e Jonas colocando o moleque na van eram de se esperar.
            Corri muito, os dois gordos nem chegaram perto. Levei o garoto até o galpão, como prometido. Deixei o carro na frente, primeiro se entrava em um beco de indústrias, galpão grande, branco, culpa do reboco. Era uma noite escura mal dava para ver a iluminação da lua, e as arvores ajudavam a deixar o clima macabro. O gemido do guri dentro de um capuz preto e com as mãos amarradas davam enredo para uma história de terror. Jonas segurando no braço de Romeu não se dava conta de queria fazia parte desta cena, e eu só a observar. Andávamos cansados, cabisbaixo, como alguém que carrega uma cruz invisível, senti-me deprimente com o cigarro que Ted estava fumando, me fazia sentir em um clima melancólico de tristeza. Três batidas no portão de ferro que correu por quilômetros eu dei, até que ela se levantou.
            - Muito bem. Disse o cara de ratos batendo palminhas. – Vejo que conseguiram o garoto. Aqui está sua irmã como prometido.
            Havia mesmo o que parecia uma garota, no centro de um grande saguão, que estava rodeado por dentro de caixas de papelão, três homens em pé, Cara de Rato do lado, e ela no meio sentada, mas difícil seria reconhecê-la com uma toca de pano preto no rosto. Entramos os quatros, a porta se fechou com a ajuda de um homem, beirava os dois metros. Logo ele pegou Romeu e o levou empurrando para uma sala do lado.
            – Chamem o Rex. Disse Cara de Rato.
            Abriu uma porta de onde surgira um homem, cujo eu na minha visão não muito preconceituosa chamaria de homem, era mais um cachorro-homem, homem-cachorro. A imaginação fica a sua preferencia. Mas ele estava de quatro, rosnando, sedento por sangue, suas bocas salivavam pela carne de alguém, a sorte de nossa pele era a coleira de o impedia.
            – Mas que diabo é isto? Disse ted. – Pare logo esta merda, me de minha irmã e cairemos fora.
            – Não é bem assim Ted. Disse que entregaria tua irmã. Mas não viva.
            Um barulho de corrente interrompeu a conversa, o homem-cachorro, tal chamado de Rex, correu na forma mais bizarra que um homem pode imitar um cachorro, e pulou direto no pescoço da irmã encapuzada. De Tex, que logo tirou sua arma e deu um tiro no anus de Rex, Cara de Rato rindo atirou em ted, baleando a com uns cinco ou seis tiros, garota que teve um triste fim, estremecendo se a cada bala que levava. Pobre Ted, mas eu ainda estava vivo, tirei minha clock da bolsa e coloquei-me a mirar em Cara de Rato, que estava esbanjando risadas. Não consegui concluir minha ação pelo tiro que tomei no abdômen vindo de algum lugar. Desmaiei.
            Abri um olho com esforço, que lutava para ficar fechado, seria bom, teria perdido a cena de ver minha garota Ted sendo comida por dois cachorros policiais. Não parecia ter passado muito tempo, Ted ainda estava havia sido deformada, tirando o rim dela na boca de um dos trogloditas. Esforcei a virar a cabeça, olhei para a direção da irmã de Ted, e o que eu a vi, pela surpresa, ou já nem tanta se lembrasse das minhas conclusões, era que, não era a irmã Ted. Apenas mais uma vitima a ser estripada.






O diabo estende a mão


1.
            Olhos ofuscantes, tensos pela dor, há escuridão estava dominando minha visão a cada suspiro que eu dava, cada reagir meu para uma tentativa de sobrevivência, cada angustia que vinha a tona, fazia sentir me estremecendo naquele chão. Elas vinham me lembrando do meu passado e das coisas ruins que vi, sem notar, no relembrar de tantos fatos horríveis, senti-me deitado em plena escuridão, melancolia, solidão, profunda tristeza, um homem de paletó ao fundo fumando um cigarro se aproximava. Olha-me com um bom sorriso, de galã de cinema, todo elegante, vendo minha dor, e num sorriso de superioridade sarcástica tira a mão do bolso e estende-a.
            – O senhor é Deus? - Perguntei na estremecida voz gemida que dava. O homem gargalhou alto e num eco sem fim, depois me respondeu.
            – Não me faças rir tanto, rico pecador da alma apodrecida. Vim buscar sua alma, e agradecer por tantos frutos que me trouxe. Vamos pegue logo minha mão.
            – Fico lisonjeado por ser tão grato, que vou acertar a oferta. – Levantei-me. – Mas me conte então, quer dizer que estou trabalhando de graça para o senhor? Levando almas a troco de nada? Fique sabendo que eu cobro pelos meus serviços. – E o homem riu novamente.
            – Muito sábio da sua parte, mesmo, quer tenta desafiar o homem que vai te fazer queimar num mar de fogo a eternidade. Fiques sabendo que a divindade lá em cima esqueceu-se de ti, te jogou no mar do inferno e não a penitencia que te absorva, já adquiri tua alma para mim, tu és para mim um bom colheitador de almas. Escravo com destino certo, ou sofres aqui agora ou alongas seu prazo terreno sobre a função de escravidão, a escolha é tua, escravo no fogo do inferno ou no campo terreno na colheita de almas.
            – Me passe logo este cigarro, já estou morto mesmo, não poderá me fazer mal.
            Cai de joelhos no chão com dores fortes no peito. Uma botina de um tamanho e força que me fez dobrar os joelhos e cair de costas no chão. E encontro me de cara a cara com o engravatado, que aproxima ela de mim.
            – Qual o seu problema colheitador? Sentes medo e não pode demostrar?  Se defeque, se urine de medo, é isto que eu quero, não há pudor, nem remorso que te salve, não há perdão, esqueça seus joelhos sangrando no milho, esqueça o terço que rezou sua vida inteira, seu destino é certo, queimar, no inferno, cedo ou tarde meus braços vão se encontrar com seu corpo, e da minha boca sairá de vomito todo o podre que existe dentro de você. Qual o valor de uma penitencia? Deus nunca deu respeito ao seu dinheiro.
            E terminou sua frase cuspindo no meu rosto. Arremessou-me no chão que deve ter me custado o preço de umas duas costelas, pisoteou meu peito e senti meu sangue entrando nas bolsas de ar do meu pulmão. Sangue que foi bombeado pela boca, pelo nariz, ouvidos e olhos. Resisti até apagar.

2.
            Quando me dei por si, deparei com Cara de Rato praticando atos de canibalismo com a garota. Sentada e amarrada na garganta. Levantei com um estado de espirito cínico ao que acontecia, olhando fixamente para o ato, nem me deparei com meus dois amigos deitados no chão mortos, os cachorros participavam do jantar da garota sentada. Levantei minha Glock mirei com as duas mãos, explodi a costela de um com um tiro, que o grito do baleado me trouxe agrado, o segundo no pescoço do Cara de Rato, que levou a mão rapidamente ao pescoço na tentativa de estancar a ferida, mas a bala já estava em sua garganta, provavelmente entrando em seu sistema digestório até sai pelo seu ânus. O terceiro tiro foi na genitália do ultimo canibal gordo com as mãos cheias de tripas. Este tinha se virado para mim com os olhos arregalados igual bolotas na sua face. Botinei a cara do primeiro cachorro que pulei pro meu lado, e o segundo não avançou mais depois que lhe acertei um balaço, o da bunitada se achou valente e voltou a me atacar, mas não suportou a pressão da Glock. Acabei com o pente de minha arma nos filhos da puta. Depois de tanta pressão emocional, fui defecar.
            Sentei na privada, acendi meu cigarro, traguei. Banheiro sujo, de porta de madeira branca, olhei pela porta e havia uma visão de miolos humanos e um rio de sangue pelo chão. Carniça total. Dei mais um trago. Uso o banheiro como minha fonte de reflexão e revitalização da minha alma. Comecei declamar Bukowski, o que me fazia sentir que existia no mundo um puto fodido que soube declamar palavras que me confortariam naquele momento. “há um pássaro azul no meu coração, que quer sair, mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém ver-te. Há um pássaro azul no meu coração que quer sair, mas eu despejo whiskey para cima dele, e inalo fumo de cigarros, e as putas e os empregados de bar e os funcionários da mercearia nunca saberão que ele se encontra lá dentro”. Nunca saberão. Pelo visto nem deus e o diabo sabem. Ergui as calças, fui embora, mais um caso encerado.












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