terça-feira, 2 de abril de 2019

Escola dos Annales



As formas de se construir o conhecimento histórico possuem sua própria historicidade. Desde a concepção do termo “história” no sentido ateniense até os dias atuais, o termo vem possuindo seus significados e seus métodos de análise. Frente aos problemas historiográficos do séc XX, a escola dos annales aparece como auxilio a reflexões teóricas e metodológicas sobre a história em seu período. Questões que redireciona o modo de ser historiador e o seu ofício.


A historiografia francesa dos anos 20 era de influência positivista. O positivismo é uma corrente historiográfica do séc XIX que entende que a função do historiador é quantificar os documentos. Um autor influente desta época é Leopold Von Ranke. Nesta época, toda história não política era excluída. O problema é que quem escreve os documentos geralmente são pessoas que se prevalecem da forma em que a sociedade é organizada. Então, estes documentos interpretados como a verdade do passado servem de manutenção dos privilégios de quem já possuía. Por vezes, o séc XIX tiveram historiadores que discordavam sobre esta história estritamente política.


Em uma busca por uma análise sistemática desta escola, Peter Burke, separa ela em três gerações. Tentando entender como esta escola é utíl na tentativa de se diferenciar a figura do historiador com outras áreas da ciência. Segundo foi dividido em três fases: Primeira, com Marc Bloch e Lucien Fevbre, marca criticas ao positivismo e sua história política. A segunda, com direção de Fernand Braudel traz consigo uma maior aproximação de novas áreas, como geopolítica do próprio Braudel. Busca também novos métodos, como a história serial das mudanças na longa duração. E por terceiro, possui uma fragmentação


A escola dos Annales é em seu tempo, uma tentativa de reconstruções de sentidos para a história. Ela é fundada por dois historiadores franceses Marc Bloch e Lucien Fevbre em 1929 fundam a revista “Annales D’Histoire Économique Et Sociale” (...)


Marc Bloch é um dos principais historiadores da Escola dos Annales.


Este legado de reconstrução de sentidos para a história é explicito em seu livro não acabado “Apologia da história ou O oficio do historiador”. Sua organização foi dada pelo seu companheiro de revista Lucien Febvre e lançado na década de 40. (...)


Abordarei minimamente algumas contribuições de Bloch para a historiografia de sua época. Em Seu livro, Apologia da história” ele começa por uma questão de seu filho onde pede para o pai lhe ensinar “mas o que é história?”. A partir desta questão ele disserta sobre suas perspectivas e críticas da profissão.


No mesmo livro, em um trecho intitulado “ídolo das origens” Marc Bloch reflete a obsessão dos historiadores pela origens do fatos. Como se nela estivessem explicações. A palavra origem, ele se coloca em questão, significa simplesmente começo? Como ele coloca no sentido “origens do cristianismo”. Sendo a história uma matéria que estudos processos de transformações sociais, esta noção não seria uma limitação? Então ele propõe trocar esta noção por “causa”. Os problemas ao quais o historiador se repara ao seu redor tem certas causas que provém do passado, então, cabe a ele entender esses movimentos.


Nesta perspectiva o autor cita um exemplo no qual aborda melhor sua perspectiva. O historiador ao estudar a ressurreição de Cristo, não está interessado se ele ressuscitou ou não. Mas sim, como homens ao seu redor são capazes de acreditar em tais atos, e como estes atos intereferem em nossa sociedade.


É este ponto, entre outros, que o historiador Marc Bloch avanças nos estudos sobre o oficio do historiador. Para ele, esta neutralidade é impossível.


Lucien Febvre (...)


A segunda geração da escola dos Annles se da entre 1945 e 1968. O historiador mais conhecido desta época foi o francês Fernand Braudel.


A história como disciplina sofria críticas de outras áreas. Lévi-Strauss(Para ele o que interessava era quais eram os resultados extraídos da observação direta e o que podia apreender-se delas.) já é um antropologo que critica a historiografia. O conceito de estrutura é compatível com a história? A noção de estrutura não imporia um determinismo? E não aboliria as ações individuais. Lévi-Strauss queria substituir história por etnografia.


Braudel Responde Strauss falando que Febvre e Bloch já analisavam estruturas sociais desdos anos 20.


Em resposta às críticas que a história sofria na época, Fernand Braudel traz a reflexão de que toda civilização sofre processos, e este cabe a matéria da História. Para Braudel, o tempo da história não está apenas em seu objeto de pesquisa. Não basta estudar uma civilização e seu tempo por si só, porque aqueles conceitos não se explicariam. Ele traz a tona a ideia do tempo em longa duração. Para entender tais civilizações é importante o historiador entender além de seu objeto, processos de formação destas sociedades. Como estes sentidos e significados atribuídos por elas são construídos.






Para Braudel, existem três tempos e o historiador articula seu estudo sobre eles. O de pequena duração, que seria eventos momentanes. Média duração que e longa duração. Um exemplo: Ao estudar a relação de trabalho de determinada região, o historiador poderá se debruçar por eventos que aconteceram mas em um recorte um pouco maior. Só que, para ter sentido estes eventos ele precisa explicar em que contexto esta inserido, como o significado de trabalho no capitalismo.

História e Memória

O

presente texto tentará abordar questões historiográficas sobre a relação entre história e memória. Entendemos que o conceito de memória e história estão em um campo de disputas. Portanto, as relações entre ambos se modifica a todo instante a passo de novas questões científicas.


História e memória são dois conceitos diferentes, mas não deixam de ter suas semelhanças. História e memória têm um mesmo recorte que é o de presente e passado. Ambos passam por este recorte porque da consciência de tempo. A História, como ciência, faz uso da memória em suas investigações. O papel que a história da sobre a memória é de investigar sobre as noções que o presente tem sobre o passado. Ambas estão em constante diálogo.


A História não é um acumula de memórias, colocando o historiador como um catalogador de memórias e selecionando os principais fatos. Esta relação se daria em um compreendimento de história no sentido Positivista. Por isso, afirmar como se dá a relação entre História e memória é entender a que história falamos.


Neste texto, compreendo a História pela ótica dos Annales, segundo Lucien Febvre, o passado só serve para nós quando ele nos possibilitar pensar e refletir o presente. Neste modo o historiador em suas investigações, analisa estas memórias, cruza suas percepções, contextualiza o mundo social ao qual está sendo atribuída.


A história é uma análise crítica do passado. Usa teorias, e interpretar o passado. A história cientifica para se constituir ela precisa de um respaldo teórico e metodológico.


A memória é um compartilhamento de discursos e lembranças sobre o passado. É um conhecimento ancorado no presente. Então, esta ligado aos interesses e visões de mundos no presente. Sem muito senso crítico. Ela não esta interessadas em questões do mundo academico. A memória não é história em si, porque não tem em sua prática a preocupação de se existir a partir de métodos científicos. Já a história, tem muito interesse sobre a memória, porque a utiliza como fonte de analise.


As memórias tanto podem ser coletivas, quanto individuais. Por objeto de pesquisa, o historiador trata preferencialmente de memórias coletivas. Existem estudos que apontam sobre memórias individuais, mas estes sempre estão ligado em um contexto social. Segundo Le Goff em “História e memória”. A construção da memória coletiva é semelhante a individual. Seria a aproximação destas memórias por associações e traumas em comum. Assim, entendemos que a memória é um agente que cria identidades. Se compartilha visões sobre um passado, que por consequência se dá sentido ao presente e visões de futuro.


Le Goff chama atenção nas etapas de desenvolvimento da memória em sociedade. Sua forma de transmissão coincide com o processo de construção do registro. Entre as sociedades que predominantemente se tem a forma oral como registro histórico a memória é constantemente reiterada.


O Registro da escrita da memória serve como instrumento de controle pro Estado. Segundo Le Goff, na idade média a criação de monumentos, epigrafos e documentos escritos foi apropriado por grupos sociais para representarem uma “memória coletiva”. Sendo que estaria mais ligado a visões de quem produziu, ou seja, reis, imperadores. E memórias individuais estariam tomando espaço de outros. Por isso o Estado é uma esfera que disputa memórias. Monumento/documento.


Elementos que constituem a memória: Eventos do passado vivido. Eventos vividos por “tabela”. Memórias de traumas coletivos. Memórias compartilhadas conectam p


essoas por traumas em comum. Diferença entre memória e lembrança. Memória é você se identificar, lembrança é o que viveu. Memórias são construídas por personagens. Lugares de memória.


Memória é um conhecimento do passado guiado pelo presente. Conhecimento que é das lembranças individuais mas participa de um jogo de interesses. Normalmente a memória glorifica ou demoniza o passado ao qual se refere. E ela carrega julgamentos morais, que podem ir mudando com o tempo. É um conhecimento do passado que são construídos por interesses do presente, tanto economico quanto político. Nas necessidades de sua época.


Ao exercer seu ofício o historiador está constantemente mexendo as estruturas que solidificaram um passado. Portanto, as ações de investigação sobre o passado disputam a memória dos seus contemporâneos sobre o objeto estudado. A memória não deve ser vista como algo passivo, ela está em um campo de disputa política.


As memórias sobre o passado não são de mão únicas. Cada fato histórico possui várias visões e interpretações. Existe memórias individuais e memórias coletivas. As coletivas são questões que determinadas sociedades compartilham. Essas memórias geralmente são sustentadas pelo Estado. As escolhas que o Estado tem sobre as memórias possuem objetivos claros. É o exemplo que temos nas construções de identidades do Estado-nação. Os sentimentos de de pertencimento de uma nação, se vem pela construção de uma memória. O orgulho em cada sujeito em reconhecer um território geográfico como seu faz partes destas disputas.





A memória do Estado não é uma esfera homogênea de um único caminho. Michel Pollak, em Memória, Esquecimento e Silêncio de 1989, analisa as posições do governo Russo sobre as ações cometidas a vítimas por Stalin. As vozes destas vitimas produziam “memórias alternativas” e ficaram marginalizadas e em constante luta por um momento em que pudesse vir a público.


Aqui nos aparece o problema dos silenciamentos de memória. Este é um problema frequente nos debates de história oral. Precisa-se entender a diferença entre “silenciamento” e “esquecimento”. Muitas vezes o entrevistado se silencia sobre determinado tema, não significa esquecimento. Muitas vezes estamos falando de traumas, ou de assuntos que envolvem algum tipo de proibição que interfere nas falas dos sujeitos.


Muitas interpretações pensam no Estado como agente que constrói uma memória positivista. Nesta linha o Estado não se olham as contradições sociais, enaltecem os heróis da pátria, líderes políticos e grandes feitos. Eu concordo em partes com este pensamento. Porém, o Estado é um órgão de disputa de classes, porque em tese é democrático. O que é interessante pensar sobre a questão da memória é: quando a disputa pelas legislações do Estado estão voltadas para a classe hegemonica, que memória tenta ganhar espaço? A memória que o Estado quer lembrar também está em disputa.


Os movimentos sociais são uma forma de disputa da memória. Por vezes, são expressões de indignação da sociedade sobre o Estado. O que gera um conflito entre ambas as partes.


O estudo na história sobre memória surge na década de 70 com a chamada “Nova História”. No entanto, é preciso refletir os limites de ambas.





Então, a história precisa analisar, problematizar, questionar e investigar o passado. A história neste sentido não opera apenas tentando refazer o passado, mas tentando analisar o que compõe as memórias sobre ele.


A memória é uma ferramenta poderosa para a construção das identidades sociais. Um exemplo disso é a identidade nacional. As ações políticas são justificadas por memórias construídas. Então o Estado investe nesta construção. Um espaço utilizado para isto são os museus históricos. O historiador deve olhar para estes espaços com um olhar de estranheza, não apenas consumir a informação, mas se questionar que memórias estes museus trazem.


Segundo Pierre Nora, museu que constroem histórias enaltecendo a chegada dos pioneiros excluindo conflitos gerados da época acabam criando uma visão unilateral da história.





RESENHA:


Em um livro sobre os problemas historiograficos ao qual se depara o historiador,Dea Fenelon, organiza um livro onde emergem diferentes debates sobre a relação de história e memória. Um dos princiapais objetivos do livro é questionar a historiografia de versões “autorizadas” da história, invisiabilizando outras narrativas. Por isto, ela compreende que a história é uma disputa política, e seu livro se apresenta como a importância material de se estudar estas narrativas. Para ela, a memória tem um caracter ativo na construção da história. Ao abordar novas memórias sobre o passado, é abordar as versões que este passado é construído. A autora demonstra uma preocupação constante no caracter que diz respeito a memória como um agente ativo social. Pois para ela, a forma como o sujeito entende seus passado, faz com que ele se projete no presente e tenha perspectivas sobre o futuro.





- Questionar a “historiografia que se proclamam versões autorizadas dos acontecimentos e que produzem a invisibilidade e a inaudibilidade dos dissentes, bem como o apagamento dos vestígios de suas memórias e histórias”


“enfatizar o caráter ativo da memória na construção da história”


“Preocupação com os movimentos sociais e não apenas com o movimento operário”


Culturas é aqui tomada como expressão de todas as dimensões da vida, incluindo valores, sentimentos, emoções, hábitos, costumes e, portanto, associada a diferentes tipos de realidade


E mais: orienta-se para o futuro, já que a nossa perspectiva é a de transformar este presente e nossa inspiração é a vontade de buscar a utopia”





Dentro do livro organizado por Dea fenelon, Muitas memórias, outras histórias. Yahara khoury apresenta interessantes reflexões sobre a discussão de memória. Segunda seus estudos, observou que o modo com as pessoas lidam com o passado esclarece o seu presente enquanto valores. Ao narrar o passado, as pessoas se projetam como seres sociais. Constroem e interpretan a realidade vivida. É preciso entender as narrativas como movimento histórico.





Yahara KHOURY


“Por meio do diálogo com pessoas, observamos, de maneira especial, modos como lidam com o passado e como esse passado continua a interpelar o presente enquanto valores e referências”


; procuramos desconstruir processos sociais de produção da memória


Ao narrar, as pessoas interpretam a realidade vivida, construindo enredos sobre essa realidade, a partir de seu próprio ponto de vista





“Lidar com as narrativas requer pensa-las no movimento da história


“Nosso interesse é trabalhar a narrativa oral no movimento da história; como uma prática social, ela tem sua própria historicidade; o narrador constrói sua identidade, fazendo uso dos elementos de sua cultura e historicidade e recorrendo a um passado significado e resinificado no presente”


“Lidar com o tempo nas narrativas é também lidar com a memória. A fala oral está sempre impregnada de memória. Nas conversas estamos em contato direto com modos como as pessoas costumam significar o passado, marcar e usar o tempo


“Estamos habituados a uma divisão sacralizada do tempo histórico em grandes períodos”.


“Datar um evento não é simplesmente coloca-lo numa sequência cronológica, mas decidir a que sequencia pertence”





“Ao narrar, as pessoas estão sempre fazendo referência ao passado e projetando imagens, numa relação imbricada com a consciência de si mesmos, ou daquilo que elas próprias aspiram ser na realidade social” p. 131.


“Os silêncios são poderosas acumulações de energia, invisível, mas carregadas de significados” p. 132.


“Essas questão da memória articula-se, também, à problemática das identidades”





Dalva silva, as memórias ganham novos sentidos cada vez que são narradas. Entre o momento da narração e o momento sobre qual o sujeito narra, precisa-se entender o processo a que levou este sujeito a estas conclusões. As experiências dos sujeitos fazem ele se construir e se relacionar em diferentes posições com o passado.





Le goff- “A tomada de consciência da construção do fato histórico, da não-inocência do documento lançou uma luz reveladora sobre os processos de manipulação que se manifestam em todos os níveis da constituição do saber histórico” p.


A história é uma prática social, uma questão política. “... é legítimo observar que a leitura da história do mundo se articula sobre uma vontade de transformá-lo”


O fato é uma criação do historiador que reconhece uma realidade como importante para entrar no discurso.


“Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva”


todo documento tem em si um caráter de monumento.


A memória coletiva é um objeto de poder.


Memória: fazer recordar.





“O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a análise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa”

Considerações sobre o Marxismo



O marxismo é uma corrente historiografia que nasce no século XIX com Karl Marx. Porém, esta correndo vem se ramificado, reestruturando e tendo novos sentidos ao longo do tempo.


Para adentramos as contribuições históricas de Marx, usaremos Josep Fontana em “A história dos Homens” para nos explicar os avanços nos estudos de história que eles trazem. Os pensamentos de Marx e Engels nos apresentam 3 novas concepções sobre o entendimento histórico: A inversão do modelo da filosofia clássica. A sistematização da economia politíca e o desenvolvimento de uma concepção de história.


Para entendermos as reflexões que Marx faz sobre a história, é preciso contextualiza-lo em seu tempo.


Nascido em Trevis, na alemanha, foi filho de classe média, estudou em Berlim. Estudou filosofia hegeliana, até o ponto de inverter sua dialética. Pra Hegel, o conhecimento se veem do mundo das ideias para as transformações materiais. Segundo Marx, é ao contrário. As relações materiais do homem transformam seu mundo das ideias.


Em sua vida como jornalista Marx critíca as relações de propriedade privada. Suas reflexões sobre o materialismo histórico começam quando ele observa que a desigualdade vem em relação do homem com o dominio da natureza. Em seus trabalhos, Marx consta muitas pessoas sendo presas por furtos de lenha. Isto ocorre pelo fato das delimitações de posse. Então, Marx enxerga nas relações materiais a projeção da desigualdade. As leis amparam pessoas que se apropriam da natureza em nome de uma propriedade privada.


A contribuição de Marx para a ciência se dá em vários setores da ciência. Ele analisa a sociedade economicamente, historicamente e filosoficamente. Ao inovar um sentido da figura do historiador em sua época apartir de um olhar economico da sociedade, ele recria uma postura ética e filosófica do mesmo. Esta postura filosófica não é proposta só para o historiador, mas para a sociedade em si, pois seus escritos não eram academicos. Quando Marx e Engels escrevem “o manifesto comunista” em 1848, começam com a frase “a história humana é a história da luta de classes”. Isto é um ade a revolução social. É pensar na história como a gente de transformação. Isto para a historiografia da época é uma grande revolução. Visto que a predominacia se era de escolas positivistas. Marx critíca o pensamento filosófico de sua época. Em a ideologia alemã, quando escreve sobre as teses de Feurebach, ele termina com a frase “os filosófos não fizeram nada mais de interpretar o mundo de forma diferente; trata-se porém de modificalo”. Esta frase representa os direcionamentos dos estudos de Marx.


O periodo histórico em que Engels e Marx viveram esta marcado por transformações nas relações sociais e relações de trabalho. Marx demonstra seus métodos de pesquisa no decorrer de suas obras. Em 18 brumário, ele analisa transformações na frança a partir destas condições. Marx compreende que os homens fazem sua própria história mas em condições determinadas.


O método de pesquisa desenvolvido por Marx, é o materialismo histórico dialético. Este forma de compreensão entende a história apartir das relações materiais entre homem com relação a natureza. Cada modo de produção possui suas particularidades em tempo e espaço. Essas relações estariam onde Marx chama de infraestrutura ou base. E a partir das relações de base que o homem tem, se estabelece a superestrutura, seriam os pensamentos, as instituições políticas, leis, filosofia a ciência. Neste sentido, para Marx, é necessário mudar as relações de base para se mudar a superestrutura. É no modo em que se estabelece as relações do homem com a natureza que ele cria a si mesmo. Então a alteração desde modo, é uma alteração das concepções éticas e morais da sociedade em que se legitima a desigualdade.


A historiografia marxista do século XX, pós Marx, traz consigo divergências sobre a estrutura do pensamento dialético marxista. Aos que seguem este modelo marxista são denominados de “estruturalistas”. Um autor conhecido por seguir esta tradição foi Louis Althusser. Para ele, a sociedade esta comprometida a estas estruturas. Alguns historiadores apontam uma interpretação ortodoxa para esta análise estrutural. Esta critica é fundamentada por Thompson, em “Miséria da teoria”, na década de 70. Thompson decorre em alguns capitulos sérias críticas sobre Althusser, e ao mesmo tempo propõem novas perspectivas históricas. Segundo o autor, os sujeitos históricos não aparecem como agentes de transformação social, pois as analises estão intrinsecamente voltadas as relações economias. A tradição que Althusser segue de Marx compreende que a superestrutura é determinada pelo modo de produção. Para Thompson, isto é um problema, porque ele entende a dilaética como uma relação entre superestrutura e base, nunca dissociáveis. Pois, a construção está presente nas relações, não em determinações de uma sobre a outra.


Estas críticas vieram a partir da decada de 60, pela escola Inglesa. Os historiadores mais famosos dela são Edward Thompson, Eric Hosbsbawn, Christopher Hill e Perry Anderson. Cada historiador tem suas particularidades, mas esta escola fica conhecida por incluir na luta de classes sujeitos. Isto significa, analisar os movimentos sociais. Voltando para o passando e entendendo o poder de luta das pessoas, e como estas lutas estão relacionadas nos movimentos históricos. É este ponto que Thompson, em miséria da teoria, aponta como “silêncio” de Marx. É onde a história dele não olha, então ele compreende que esta ferramente serve como uma lupa que aumenta a compreensão sobre o passado. Compreender história pelo olhar desta escola é entender que as relações dos sujeitos com as condições do tempo fazem parte da dialética que movem as sociedades. Que os sujeitos são ativos, não passivos. Que os homens não observam o mundo de forma neutra, mas olham suas contradições.


Thomspon, em seu livro “Costumes em Comum”, anália costumes, cultura e tradições populares do séc XVIII inglês. Neste livro, percebe-se que o conhecimento histórico surge na dialética entre as relações. Isto não é uma novidade de Thompson, porém colocar o sujeito nas relações que formam a sociedade, é algo que avança a forma de se fazer história em sua época. Um dos exemplo que aparece no livro, é quando Thompson relaciona as relações do homem com o tempo. Ele percebe, que as relações de tempo que aparecem nas fábricas, adivinha nas novas formas de se organizar o trabalho, mudam a relação do tempo dos homens fora da fábrica. Ao mesmo tempo, ele mostra outras sociedades e a forma como elas dão sentido ao tempo.


Outro autor desta escola é Eric Hosbawn, em “Sobre História”. Desenvolve reflexões sobre sujeitos marginalizados e suas atuações em movimentos históricos. Como as transformações históricas acontecem com relação a estes atores sociais. A história é um espaço de disputa, tanto academico, quanto político. Então, analisar a história a partir destes sujeitos é compreender seu papel na nossa sociedade.


Estes historiadores trazem como contribuição o que Marx e Engels propuinham. O Materialismo precisa ser uma teoria que se aplica no tempo e espaço, ou seja, uma teorai flexível. Thompson comenta no ultimo capitulo de miséria da teoria que não existe uma forma metodológica para a história, pois ela precisa ser pensada em seu tempo.








Marx olhava a história como um campo político do conhecimento. No momento que se estabelece uma história que se constrói mantendo estruturas sociais, as desigualdades se mantem. A história é uma possibilidade de enxergar desigualdades e combatê-la.





Para Marx, os intelectuais desassociavam o pensamento do mundo material. Sendo que para ele, as ideias eram oriundas do mundo material.





Praxis


Marx critica o materialismo e o idealismo e traz um novo conceito que o é de “praxis revolucionária”.


Para ele, Materialismo entende a história como determinista. O homem sendo resultado de estruturas econômicas,sociais e naturais. Mas o que eles não percebem, segundo Marx, é que estas estruturas são transformadas pela percepção do homem sobre elas. Já os idealistas, é praticamente ao contrário, o mundo material seria um reflexo das ideias. E o problema é que estas ideias veem de condições materiais.





A práxis revolucinárias é a dialética entre a teoria e a prática. Ela compreende que as teórias precisam estar a todo instante em transformações, para não se tornarem dogmas, isto implica em um problema que é tentar estruturar métodos em modelos, sendo que a história se ve particular em cada tempo-espaço.

Breves considerações sobre o pensamento de Nietzche

       (esse resumo foi escrito em 2013, achei nos rascunhos)
      O que o bigodão tentou foi acabar com uma estrutura de pensamento. Esta estrutura era baseada em um antagonismo maniqueísta, ele propôs então o fim da oposição entre o bem e o mal. Quando Nietzsche diz que deus morreu ele esta dizendo que esta morta a ideia de pensar que fora daqui é melhor do que aqui na terra. Que a vida nos céus é a verdadeira vida a ser vívida. O que para ele é o homem negando a vida terrena. Esse apoio vem pela falta de sentido da vida, então o homem se apoia em muletas metafisicas para diminuir o sofrimento da vida.
         Nietzsche também é contra a ideia de igualdade, segundo seus argumentos esta sociedade privilegia o que é ruim. Dando enfoque ainda ao cristianismo
    Nietzsche, formula uma concepção que denomina como "vontade de potencia". Para ele, somos energia que busca mais energia, força ativa e reativa. A ativa existe por si só e a reativa por outra. Todos nós somos regidos pelas duas. O forte é aquele que preferencialmente é movido por forças ativas. A  força ativa é a arte, é que se expressa, se expande, em um sentido "satriano" que transcende sua existência. A reativa, é o cuzão empata foda que fica do seu lado falando "vai da certo não porque fulano disse que não podia"
     A crença em outros mundos, no além. Tem consequências sobre a vida. Por isso importa tanto. Não se vive da mesma maneiro segundo se acredita ou não na vida eterna. Porque a vida eterna é fundamentada dependendo do jeito que você vive sua vida aqui. Se você for um "fodão" na terra você pode viver uma vida eterna num desconforto. Ser comum a todos não é ruim. A crença no outro mundo é uma compensação dos fracos. "quem se humilha será exaltado, quem exalta sera humilhado." Se trata deuma consciência tranquilizadora.

Em vez de voce sair pra unica vida que existe, você nega ela pra viver a outra.

     Super homem é o que vive a vida na vida. Sem idealismos. a Vida anti-niilista é o eterno retorno. No lugar de fazer justiça fora daqui, a proposta é fazer a vida na vida, nos seus instantes. Então, a proposta é  o Amor fati, ele é o amor pelo mundo como ele é. Ama o real como ele é, com seus defeitos e qualidades. Não é odiar a dor e querer viver uma vida de prazeres, é entender que a vida funciona desta maneira. Querer encaixar ela de uma maneira é estruturar ela em algo que foge do alcance do homem.
    O passado é um tempo que não existe no mundo, o passado só existe para nós. O passado é presente, quando você lembra de algo, você lembra no presente. É um tempo na alma.O futuro é a uma antecipação do que vai vir no presente. Agostinho chamava de tempos da alma. Eles não tao no mundo, no mundo só existe o instante. No mundo só existe o instante, o resto é tudo devaneios. Para os Estoicos o futuro e o presente são males para a vida. Por que que te tira do instante da vida.



Freud, O mal-estar na civilização

Rascunho não acabado:

          O Mal-estar na civilização foi escrito em 1929, talvez o contexto pós primeira guerra e a falta de esperança que o progresso civilizador gerava antes da primeira guerra nas sociedades europeias tenham influenciado a escrita de Freud. Esta falta de esperança para mim fica claro quando estudei sobre A Montanha Mágica de Thomas Mann, porém não entrarei neste por menor.
          Freud, neste livro parece muito descrente sobre a condição humana e a sociedade. A civilização se concretizou não em uma busca por um humano feliz, ela não se preocupou com estes aspectos, seu principal objetivo esta em um controle dos impulsos "naturais" do que é o homem. Então, esta visão dos projetos civilizatórios não encarariam o próprio homem como uma figura nos moldes de Hobbes?
         Eu, particularmente tenho grande dificuldade, e acho que se dota de uma mente muito brilhante, homens que conseguem em suas pesquisas entender o "homem natural". Para Freud, o processo civilizador destitui um homem e o transforma em um objeto podado para entrar em sociedade. "No inicio o Eu abarca tudo, depois separa de si um mundo externo. Nosso sentimento do EU é, portanto, um vestígio atrofiado de um sentimento muito mais abrangente." (p.19). Entendo esta parte como o Eu antes do processo civilizador.
       Dado estes aspectos da concepção de Freud, me parece que os indivíduos são inimigos da civilização. A prática que "processos civilizadores" (enfie muita aspas nisso) colocaram foi a religião. Mais além percebe-se que ele chega algo parecido com Dostoievski na sua celebre frase wikpediana: "Sem Religião o mundo seria um Caos". O que não é a resposta de Freud, para ele existem caminhos que destroem menos a condição humana. Um argumento de um sujeito bastante amigável aos escritos nietzscheanos. Esqueci de me adentrar por grande preguiça de separar um pensamento cronológico, que não acho importante, mas Freud estabelece faz uma analise da influência religiosa sobre a condição humana. Logo no começo, ele escreve que a religião aparece como uma ilusão, que traz no homens confortos sentimentais, como a sensação de eternidade. Não acredito que há um grande avanço nestas percepções em questão a sua época, mas para quem não refletiu sobre Religião ele se apresenta com ótimas reflexões.
               A vida do individuo sempre tente ao prazer, e o trabalho parece não estar ligado a isso, nem a sua origem filológica. Para a manutenção dos prazeres da vida, necessita que o homem trabalhe, mas este mesmo não é tão fã do mesmo.
              "O futuro de uma ilusão" 1927. A religião organizada como uma neurose coletiva. Ela doma os instintos antissociais e criar um "senso" de comunidade compartilhado por crenças. Mas este individuo é subordinado. E subordinado a Deus. Ele não é livre.



RESENHA:
p.14. religião como ilusão. Sensação de eternidade. -p15. não é facil trabalhar cientificamente os sentimentos. P16. - Id é uma entidade inconciente. A relação entre o EU e o Id. Para fora o EU parece manter limites claros e precisos. - p17. Este sentimento que tem do EU no adulto nao pode ter sido o mesmo desde o principio. - p18. o Bebe nao separa seu EU do mundo externo.
p19. o inicio o eu abarca tudo, depois separa de si um mundo externo.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Significado da palavrá Niilismo antes e depois de Nietzsche

Niilismo - Significado da palavra vem da pessoa que nega algo.

     Antes de Nietzsche a palavra se referenciava a pessoas que negavam valores externos. Seria aquele que faz suas atitudes sem nada externo a VOCÊ . Não é por isso que você vai peidar na mesa, arrotar no ouvido da sua mãe porque é um fator fisiológico. Para este niilista, o julgador das atitudes é você. Um exemplo fácil de pensar é: Pense no julgamento dos cristãos sobre uma pessoa libertina que se entrega aos prazeres da carne. Este niilista esta negando os fatores morais e vivendo seu presente.
    Agora, Segundo Clóvis Barros, Nietzsche inverte o significado da palavra. Para ele a negação de uma vida plena, não está na negação de valores, mas na negação da própria vida. Negar suas pulsões e tesões diários por regras ditadas por outros, externo de seu julgamento, te faz negar a vida. Te faz seguir uma linha de vida que uma pessoa criou, não a sua. 
   Exemplo: Uma pessoa que deixa de fazer algo porque é pecado, ela esta negando suas pulsões fisiológicas a pró de uma ordem maior, algum Deus de qualquer religião ou qualquer coisa moralista que te tire do instante de fazer o que você deseja. Pode ser a negação do presente com o futuro. 
    Supomos que você é convidado para uma suruba com três gatas (ou gatos) do jeito que sonha mas tu nega pois é casado. Você pode gritar desesperadamente lá dentro de si, se debatendo como um leão preso em uma gaiola: VAI SEU BURRO. ESCROTO! Teu compromisso te tira das suas pulões do presente, você esta negando seus desejos por algo maior que isso, teu amor monogâmico por alguém, por exemplo.