As formas de se construir o conhecimento histórico possuem sua própria historicidade. Desde a concepção do termo “história” no sentido ateniense até os dias atuais, o termo vem possuindo seus significados e seus métodos de análise. Frente aos problemas historiográficos do séc XX, a escola dos annales aparece como auxilio a reflexões teóricas e metodológicas sobre a história em seu período. Questões que redireciona o modo de ser historiador e o seu ofício.
A historiografia francesa dos anos 20 era de influência positivista. O positivismo é uma corrente historiográfica do séc XIX que entende que a função do historiador é quantificar os documentos. Um autor influente desta época é Leopold Von Ranke. Nesta época, toda história não política era excluída. O problema é que quem escreve os documentos geralmente são pessoas que se prevalecem da forma em que a sociedade é organizada. Então, estes documentos interpretados como a verdade do passado servem de manutenção dos privilégios de quem já possuía. Por vezes, o séc XIX tiveram historiadores que discordavam sobre esta história estritamente política.
Em uma busca por uma análise sistemática desta escola, Peter Burke, separa ela em três gerações. Tentando entender como esta escola é utíl na tentativa de se diferenciar a figura do historiador com outras áreas da ciência. Segundo foi dividido em três fases: Primeira, com Marc Bloch e Lucien Fevbre, marca criticas ao positivismo e sua história política. A segunda, com direção de Fernand Braudel traz consigo uma maior aproximação de novas áreas, como geopolítica do próprio Braudel. Busca também novos métodos, como a história serial das mudanças na longa duração. E por terceiro, possui uma fragmentação
A escola dos Annales é em seu tempo, uma tentativa de reconstruções de sentidos para a história. Ela é fundada por dois historiadores franceses Marc Bloch e Lucien Fevbre em 1929 fundam a revista “Annales D’Histoire Économique Et Sociale” (...)
Marc Bloch é um dos principais historiadores da Escola dos Annales.
Este legado de reconstrução de sentidos para a história é explicito em seu livro não acabado “Apologia da história ou O oficio do historiador”. Sua organização foi dada pelo seu companheiro de revista Lucien Febvre e lançado na década de 40. (...)
Abordarei minimamente algumas contribuições de Bloch para a historiografia de sua época. Em Seu livro, Apologia da história” ele começa por uma questão de seu filho onde pede para o pai lhe ensinar “mas o que é história?”. A partir desta questão ele disserta sobre suas perspectivas e críticas da profissão.
No mesmo livro, em um trecho intitulado “ídolo das origens” Marc Bloch reflete a obsessão dos historiadores pela origens do fatos. Como se nela estivessem explicações. A palavra origem, ele se coloca em questão, significa simplesmente começo? Como ele coloca no sentido “origens do cristianismo”. Sendo a história uma matéria que estudos processos de transformações sociais, esta noção não seria uma limitação? Então ele propõe trocar esta noção por “causa”. Os problemas ao quais o historiador se repara ao seu redor tem certas causas que provém do passado, então, cabe a ele entender esses movimentos.
Nesta perspectiva o autor cita um exemplo no qual aborda melhor sua perspectiva. O historiador ao estudar a ressurreição de Cristo, não está interessado se ele ressuscitou ou não. Mas sim, como homens ao seu redor são capazes de acreditar em tais atos, e como estes atos intereferem em nossa sociedade.
É este ponto, entre outros, que o historiador Marc Bloch avanças nos estudos sobre o oficio do historiador. Para ele, esta neutralidade é impossível.
Lucien Febvre (...)
A segunda geração da escola dos Annles se da entre 1945 e 1968. O historiador mais conhecido desta época foi o francês Fernand Braudel.
A história como disciplina sofria críticas de outras áreas. Lévi-Strauss(Para ele o que interessava era quais eram os resultados extraídos da observação direta e o que podia apreender-se delas.) já é um antropologo que critica a historiografia. O conceito de estrutura é compatível com a história? A noção de estrutura não imporia um determinismo? E não aboliria as ações individuais. Lévi-Strauss queria substituir história por etnografia.
Braudel Responde Strauss falando que Febvre e Bloch já analisavam estruturas sociais desdos anos 20.
Em resposta às críticas que a história sofria na época, Fernand Braudel traz a reflexão de que toda civilização sofre processos, e este cabe a matéria da História. Para Braudel, o tempo da história não está apenas em seu objeto de pesquisa. Não basta estudar uma civilização e seu tempo por si só, porque aqueles conceitos não se explicariam. Ele traz a tona a ideia do tempo em longa duração. Para entender tais civilizações é importante o historiador entender além de seu objeto, processos de formação destas sociedades. Como estes sentidos e significados atribuídos por elas são construídos.
Para Braudel, existem três tempos e o historiador articula seu estudo sobre eles. O de pequena duração, que seria eventos momentanes. Média duração que e longa duração. Um exemplo: Ao estudar a relação de trabalho de determinada região, o historiador poderá se debruçar por eventos que aconteceram mas em um recorte um pouco maior. Só que, para ter sentido estes eventos ele precisa explicar em que contexto esta inserido, como o significado de trabalho no capitalismo.